Se eu escrevesse assim...

11:58


"Se te dessem a hipótese de ir um dia ao passado ou um dia ao futuro, qual escolherias? Serias tu capaz de escolher viver um momento do qual tens muitas saudades, ou irias tu querer saber como está a tua vida daqui a décadas? Talvez me digas que ninguém vive do passado e que não voltarias ao que já não existe mais. Talvez me digas que não queres saber como estarás daqui a décadas porque o que tens para viver não é mais importante do que aquilo que já viveste. Qual escolherias? Arrisco-me a dizer que sei qual é a minha resposta. Assim como me arrisco a dizer que tu não sabes qual será a tua. Tens muitas saudades de algum momento? Ou tens curiosidade das saudades que ainda vais sentir? Os momentos que viveste foram assim tão incríveis para quereres voltar a eles ou os que ainda vais viver superam qualquer momento que já passaste? Com o tempo as coisas mudam, eu sei. Talvez até agora dissesses que o passado foi óptimo mas que não o repetirias. Talvez até agora a vida te tenha mostrado que à medida que o tempo avança tudo fica ainda mais divertido, saboroso, diferente e bom. Talvez até agora a vida te tenha mostrado que à medida que o tempo avança tudo fica mais difícil, complexo, diferente e assustador. Não sei. O que escolherias tu? Um dia de memórias ou um dia de descobertas? Talvez tenhas ficado dividido. A divisão entre o que já te marcou e o que te pode vir a gravar. A divisão entre o "mas" e o "e se". A divisão entre o "poderia ter sido" e o "poderá vir a ser". A eterna divisão. É que, olhando para trás, eu nunca diria que o futuro tinha todas estas coisas para mim - o que me deixa curiosa sobre tudo o que ainda tenho por decifrar. Mas olhando para a frente... Eu nunca diria que estou a deixar tudo isto para trás. Que muitas das coisas que pensei existirem talvez já se tenham ido juntamente com as roupas que já não me servem. Ao mesmo tempo que os sonhos são tão gigantes que não encontro sapatos que lhes sirvam. Aquilo que eu sei neste preciso segundo é que no minuto passado eu achava sempre que "não há nada como isto" e a vida foi-me mostrando que essa frase não tinha tamanho calculável. Que as coisas que pareciam doer tanto afinal não tinham razão de ser... que respirar afinal nunca doeu e que incrivelmente o coração nunca apertou ao ponto de parar por segundos de tão fantástica que alguma coisa parece ser. Por isso mesmo é que vou deixar na dúvida a razão da minha resposta. Porque, quanto a mim... um dia no passado era suficiente para mudar a minha vida. Para sempre."

Mary J.

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1 comentários

  1. Não tenho dúvidas nenhumas: ia ao passado para matar saudades da minha Avó :')

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